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A gira de esquerda umbanda é, sem dúvida, um dos momentos mais vibrantes e aguardados dentro de um terreiro. Cercada de mitos e, por vezes, de interpretações equivocadas, essa cerimônia é fundamental para a manutenção do equilíbrio espiritual tanto da casa quanto dos frequentadores. É nela que os Guardiões — Exus, Pombagiras e Malandros — se manifestam para realizar limpezas profundas e proteger nossos caminhos.
O que é a Gira de Esquerda Umbanda?
Diferente da gira de direita, onde as energias são mais suaves e voltadas para a doutrina e o passe magnético, a gira de esquerda umbanda lida com as energias mais densas do plano astral. O termo “esquerda” não se refere ao mal, mas sim ao magnetismo que atua no “pé do chão”, nas encruzilhadas da vida e nas zonas onde o perigo espreita.
Nesta gira, os espíritos que trabalham são especialistas em quebrar demandas, desfazer feitiços e esgotar energias negativas que muitas vezes não conseguimos combater sozinhos. É comum que antes dessa gira ocorra um ritual de como desfazer macumba ou limpezas com ervas fortes para preparar o ambiente.
Os Protagonistas: Exus e Pombagiras
Falar de gira de esquerda umbanda sem mencionar Exu e Pombagira é impossível. Exu é o guardião das passagens, o senhor do movimento. Ele é quem garante que a ordem seja mantida e que o mal não ultrapasse os limites do terreiro. Já a Pombagira trabalha com a força do desejo, do amor próprio e do estímulo vital, cortando amarras emocionais que nos impedem de evoluir.
Muitas pessoas buscam essas entidades para resolver problemas complexos. Para entender como esses guardiões atuam no dia a dia, vale a pena ler sobre como é o culto a Exu na Umbanda, onde detalhamos as oferendas e o respeito necessário para lidar com essa força.
A Linha dos Malandros na Esquerda
Em muitas casas, a gira de esquerda umbanda também dá espaço para a Linha dos Malandros, chefiada pelo carismático Zé Pilintra. Embora alguns terreiros coloquem os Malandros em giras festivas ou de direita, sua atuação na esquerda é poderosa para resolver questões de justiça, trabalho e malandragem no sentido de “saber viver”.
A presença de um Malandrinho ou de um Zé traz uma descontração necessária, mas não se engane: o trabalho de desobsessão realizado por eles é cirúrgico. Se você quer conhecer mais sobre essa falange, veja nosso artigo sobre o dia da malandragem e suas tradições.
O que esperar ao frequentar uma Gira de Esquerda?
Se você vai participar de uma gira de esquerda umbanda pela primeira vez, prepare-se para um ambiente de sons fortes — o toque dos atabaques na esquerda costuma ser mais vigoroso — e aromas intensos. O uso de bebidas (marafo, vinho, champanhe) e charutos não é para o vício da entidade, mas sim elementos químicos usados para a limpeza espiritual dos consulentes.
- Consultas: As entidades de esquerda costumam ser diretas e “sem papas na língua”. Elas dizem o que você precisa ouvir, não o que você quer.
- Pontos Cantados: Os pontos na esquerda são verdadeiras evocações de poder e proteção.
- Vestimentas: Frequentemente vê-se o uso de capas, cartolas e cores como preto e vermelho, que ajudam na contenção de energias.
Preparação e Respeito: O Pós-Gira
Participar de uma gira de esquerda umbanda exige que você esteja com o coração aberto e livre de julgamentos. Após a gira, é comum sentir o corpo mais leve, como se um peso tivesse sido retirado das costas. Recomenda-se que o consulente, ao chegar em casa, tome um banho de ervas mornas ou apenas descanse, evitando discussões.
Para quem deseja se aprofundar no significado das cores utilizadas pelos médiuns nessas giras, o guia sobre as cores das guias de Umbanda é uma leitura complementar essencial.
Esquerda é Lei e Caminho
A gira de esquerda umbanda é a prova de que na espiritualidade não existe luz sem sombra, e que a proteção dos nossos guardiões é o que nos permite caminhar com segurança no mundo material. Respeite Exu, honre Pombagira e sinta o axé da esquerda transformar sua vida.
Para referências históricas e sociológicas sobre a importância do culto aos guardiões no Brasil, o portal de cultura afro-brasileira Geledés – Instituto da Mulher Negra oferece artigos profundos sobre a resistência e o papel social de Exu e Pombagira.





